VHS – Um pouco da história.
O VHS é a sigla para Vídeo Home System
(Sistema de Vídeo Caseiro). Um sistema de gravação de áudio e vídeo
inventado pela JVC que foi lançado em 1976, ele era composto de fitas de
vídeo e de um equipamento de gravação e reprodução que permitia o
registro de programas de TV e sua posterior visualização. A facilidade
de operação e a uma razoável qualidade fizeram com que o sistema se
difundisse, com o tempo foram introduzidos gravadores portáteis
alimentados por baterias que acoplados a câmeras permitiam gravações
caseiras em vídeo.
A fita VHS é uma fita magnética de 1/2
polegada de largura acondicionada em uma caixa plástica que contem o
mecanismo de tração além de protegê-la. Por estar na caixa plástica ela
foi chamado genericamente de videocassete.
O VHS é um dos inúmeros formatos de vídeo
existentes a caixa tem 18,7cm. X10cm.X2,5cm, permite uma gravação com
aproximadamente 280 linhas de definição e pode registrar até 6 horas de
material em velocidade estendida (baixa velocidade de gravação e
reprodução).
No Brasil, o sistema foi introduzido na
década de 1980 e difundiu-se rapidamente ganhando o mercado contra o
Betamax, o primeiro formato de videocassete. Com o tempo o formato foi
desenvolvido gerando subprodutos como o VHS-C (VHS Compacto), que tinha
as mesmas características técnicas, mas com uma caixa menor
(consequentemente com menor duração) que permitiu a sua colocação em
câmeras de pequeno porte aumentando a portabilidade dos equipamentos e
maior difusão. Este cassete VHS-C para ser reproduzido em um reprodutor
VHS convencional era encaixado em um adaptador, na verdade uma caixa VHS
padrão sem fita, mas com um mecanismo que tracionava a fita menor. Para
uma melhor qualidade de gravação e reprodução introduziu-se no mercado o
Super-VHS ou S-VHS um formato que utilizava o mesmo tamanho de fita,
mas com um processo mais sofisticado de gravação e reprodução (maior
freqüência de sinal, filtros de ruídos, melhor processamento).
Com o desenvolvimento de outros formatos de
captação de imagem no padrão digital (MiniDV) e com a difusão do DVD
para reprodução, o VHS perdeu mercado e já é considerado um formato fora
de linha.
DVD – O sucessor do VHS
Em maio de 1994, as empresas Sony e Philips
anunciaram que iriam trabalhar cooperativamente no desenvolvimento de
uma nova mídia de alta densidade, conhecido hoje em dia com o nome de
Digital Vídeo Disk (DVD). Essa tecnologia chegou para substituir os
compact disks (CD-ROM) para computadores e o VHS (Vídeo Cassete). O DVD é
um disco do mesmo tamanho e formato que um CD normal, só que ele
armazena 5 ou 10 vezes mais dados do que o cd normal. A distribuição de
games e softwares mudou totalmente depois do lançamento do DVD, agora
jogos que tinham 5 cds normais podem ser lançados em apenas um. Vídeos
em DVD tem uma qualidade extrema chegando quase no mesmo nível que
cinema, o som é de CD e de fácil uso.
O
desenvolvimento dessas novas tecnologias foi confuso. A Toshiba e
Warner Home Entertainment anunciaram seu próprio projeto para
desenvolver algo similar, mas era uma tecnologia diferente do DVD. As
duas empresa que desenvolviam o DVD perceberam que não adiantaria nada
fazer duas tecnologias similares e que não seriam compatíveis.
Organizações como a Hollywood Digital Vídeo Disc tinham grande interesse
no desenvolvimento dessas tecnologias. Os distribuidores de filmes
começaram a pensar na necessidade de padrões na fabricação dos DVD’s
como qual método de compressão seria usado nos DVD’s.
O USO PEDAGÓGICO DAS MÍDIAS
O vídeo chegou a sala de aula. E dele se
esperam, como em tecnologias anteriores, soluções imediatas para os
problemas crônicos do ensino-aprendizagem. O vídeo ajuda a um bom
professor, atrai os alunos, mas não modifica substancialmente a relação
pedagógica. Aproxima a sala de aula do cotidiano, das linguagens de
aprendizagem e comunicação da sociedade urbana, mas também introduz
novas questões no processo educacional.
O
vídeo está umbilicalmente ligado à televisão e a um contexto de lazer, e
entretenimento, que passa imperceptivelmente para a sala de aula.
Vídeo, na cabeça dos alunos, significa descanso e não "aula", o que
modifica a postura, as expectativas em relação ao seu uso. Precisamos
aproveitar essa expectativa positiva para atrair o aluno para os
assuntos do nosso planejamento pedagógico. Mas ao mesmo tempo, saber que
necessitamos prestar atenção para estabelecer novas pontes entre o
vídeo e as outras dinâmicas da aula.
Vídeo significa também uma forma de contar
multilingüística, de superposição de códigos e significações,
predominantemente audiovisuais, mais próxima da sensibilidade e prática
do homem urbano e ainda distante da linguagem educacional, mais apoiada
no discurso verbal-escrito.
O vídeo parte do concreto, do visível, do
imediato, próximo, que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a
pele -nos toca e "tocamos" os outros, estão ao nosso alcance através dos
recortes visuais, do close, do som estéreo envolvente. Pelo vídeo
sentimos, experienciamos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos.
A música e os efeitos sonoros servem como
evocação, lembrança (de situações passadas), de ilustração -associados a
personagens do presente, como nas telenovelas- e de criação de
expectativas, antecipando reações e informações. O vídeo é também
escrita. Os textos, legendas, citações aparecem cada vez mais na tela,
principalmente nas traduções (legendas de filmes) e nas entrevistas com
estrangeiros. A escrita na tela hoje é fácil através do gerador de
caracteres, que permite colocar na tela textos coloridos, de vários
tamanhos e com rapidez, fixando ainda mais a significação atribuída à
narrativa falada.
TV e vídeo encontraram a fórmula de
comunicar-se com a maioria das pessoas, tanto crianças como adultas. O
ritmo torna-se cada vez mais alucinante (por exemplo nos videoclips). A
lógica da narrativa não se baseia necessariamente na causalidade, mas na
contigüidade, em colocar um pedaço de imagem ou história ao lado da
outra. A sua retórica conseguiu encontrar fórmulas que se adaptam
perfeitamente à sensibilidade do homem contemporâneo. Usam uma linguagem
concreta, plástica, de cenas curtas, com pouca informação de cada vez,
com ritmo acelerado e contrastado, multiplicando os pontos de vista, os
cenários, os personagens, os sons, as imagens, os ângulos, os efeitos.
As mensagens dos meios audiovisuais exigem
pouco esforço e envolvimento do receptor. Este tem cada vez mais opções,
mais possibilidades de escolha (controle remoto, canais por satélite,
por cabo, escolha de filmes em vídeo). Há maior possibilidade de
interação: televisão bidirecional, jogos interativos, CD
e DVD. A possibilidade de escolha e participação e a liberdade de canal
e acesso facilitam a relação do espectador com os meios.
As linguagens da TV e do vídeo respondem à
sensibilidade dos jovens e da grande maioria da população adulta. São
dinâmicas, dirigem-se antes à afetividade do que à razão. O jovem lê o
que pode visualizar, precisa ver para compreender. Toda a sua fala é
mais sensorial-visual do que racional e abstrata. Lê, vendo.
PROPOSTAS DE USO DO VÍDEO
Proponho, a seguir, um roteiro simplificado
e esquemático com algumas formas de trabalhar com o vídeo na sala de
aula. Como roteiro não há uma ordem rigorosa e pressupõe total liberdade
de adaptação destas propostas à realidade de cada professor e dos seus
alunos.
USOS INADEQUADOS EM AULA
Vídeo-tapa buraco:
colocar vídeo quando há um problema inesperado, como ausência do
professor. Usar este expediente eventualmente pode ser útil, mas se for
feito com freqüência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa -na cabeça
do aluno- a não ter aula.
Vídeo-enrolação:
exibir um vídeo sem muita ligação com a matéria. O aluno percebe que o
vídeo é usado como forma de camuflar a aula. Pode concordar na hora, mas
discorda do seu mau uso.
Vídeo-deslumbramento:
O professor que acaba de descobrir o uso do vídeo costuma empolgar-se e
passa vídeo em todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas mais
pertinentes. O uso exagerado do vídeo diminui a sua eficácia e empobrece
as aulas.
Vídeo-perfeição:
Existem professores que questionam todos os vídeos possíveis porque
possuem defeitos de informação ou estéticos. Os vídeos que apresentam
conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los,junto com os
alunos, e questioná-los.
Só vídeo:
não é satisfatório didaticamente exibir o vídeo sem discuti-lo, sem
integrá-lo com o assunto de aula, sem voltar e mostrar alguns momentos
mais importantes.
PROPOSTAS DE UTILIZAÇÃO
Vídeo como SENSIBILIZAÇÃO
É, do meu ponto de vista, ouso mais
importante na escola. Um bom vídeo é interessantíssimo para introduzir
um novo assunto, para despertar a curiosidade, a motivação para novos
temas. Isso facilitará o desejo de pesquisa nos alunos para aprofundar o
assunto do vídeo e da matéria.
Vídeo como CONTEÚDO DE ENSINO
Vídeo que mostra determinado assunto, de
forma direta ou indireta. De forma direta, quando informa sobre um tema
específico orientando a sua interpretação. De forma indireta, quando
mostra um tema, permitindo abordagens múltiplas, interdisciplinares.
Sugerimos começar por vídeos mais simples,
mais fáceis e exibir depois vídeos mais complexos e difíceis, tanto do
ponto de vista temático quanto técnico. Pode-se partir vídeos próximos à
sensibilidade dos alunos, vídeos mais atraentes, e deixar para um
segundo momento a exibição de vídeos mais artísticos, mais elaborados.
DINÂMICAS DE ANÁLISE
Análise em conjunto
O professor exibe as cenas mais importantes
e as comenta junto com os alunos, a partir do que estes destacam ou
perguntam. É uma conversa sobre o vídeo, com o professor como moderador.
O professor não deve ser o primeiro a dar a
sua opinião, principalmente em matérias controvertidas, nem monopolizar
a discussão, mas tampouco deve ficar encima do muro. Deve
posicionar-se, depois dos alunos, trabalhando sempre dois planos: o
ideal e o real; o que deveria ser (modelo ideal) e o que costuma ser
(modelo real).
Análise globalizante
Fazer, depois da exibição, estas quatro perguntas:
- Aspectos positivos do vídeo
- Aspectos negativos
- Idéias principais que passa
- O que vocês mudariam neste vídeo
Se houver tempo, essas perguntas serão
respondidas primeiro em grupos menores e depois relatadas/escritas no
plenário. O professor e os alunos destacam as coincidências e
divergências. O professor faz a síntese final, devolvendo ao grupo as
leituras predominantes (onde se expressam valores, que mostram como o
grupo é).
Análise Concentrada
Escolher, depois da exibição, uma ou das cenas marcantes. Revê-las uma ou mais vezes. Perguntar (oralmente o por escrito):
- O que chama mais a atenção (imagem/som/palavra)
- O que dizem as cenas (significados)
- Conseqüências, aplicações (para a nossa vida, para o grupo).
Análise "funcional"
Antes da exibição, escolher algumas funções ou tarefas (desenvolvidas por vários alunos):
- o contador de cenas (descrição sumária, por um ou mais alunos)
- anotar as palavras-chave
- anotar as imagens mais significativas
- caracterização dos personagens
- música e efeitos
- mudanças acontecidas no vídeo (do começo até o final).
Depois da exibição, cada aluno fala e o
resultado é colocado no quadro negro ou flanelógrafo. A partir do
quadro, o professor completa com os alunos as informações, relaciona os
dados, questiona as soluções apresentadas.
CONCLUSÃO
Em termos de uso de recursos múltimídia,
como TV, Vídeo ou DVD, podemos considerar que o suporte visual
proporcionado pela tela da TV, veiculando imagens de programas, filmes
séries, etc. através de vídeo ou DVD, é essencial como proposta
pedagógica, no sentido de ilustrar e enriquecer as aulas. Também é
altamente motivador, para o aluno, que vê nessas possibilidades uma
espécie de “fuga” dos modelos de aulas enfadonhas de “quadro-negro,
explicações e anotações”, e também para o professor, que se utiliza de
mais subsídios para sedimentar suas aulas e fazer delas momentos
interessantes de ensino-aprendizagem.
REFERÊNCIAS
A história do computador – Disponível em: www.museudocomputador.com.br/encidvd.php. Acesso em 24/10/2011.
Inserção das mídias em sala de aula – Disponível em: sovhs.blogspot.com/2008/06/um-pouco-de-historia.html. Acesso em 24/10/2011
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